Marcas do Passado, de Andrea Arnold (2006)


O Grande Prêmio do Júri, ou terceiro lugar, no Festival de Cannes, prêmio que a diretora Andréa Arnold - uma das melhores diretoras da atualidade - ganharia não uma, ou duas e sim três vezes, no filme uma policial passa os dias vigiando as ruas de Glasgow, mais especificamente um condomínio chamado Red Road (nome original do filme), que esse é o trabalho dela, nos já sabemos logo de início mas, ela está ali por um motivo claro, ela está vigiando um alguém especial, um ex-presidiário. Porque, aí você terá que assistir até o fim para saber. O primeiro e todos os outros filmes da diretora seriam assim, uma história sendo contada sem qualquer precedentes para entender, talvez seja motivo para que alguns desistam na metade, afinal de contas, é uma história avulsa, se não houver paciência, jamais entenderá por completa.

O ex-presidiário não se familiariza com a vigia, que cansada de só vigiar está ali, mais próximo dele do que o mesmo imagina, ela arma um grande plano de vingança para se vingar do ex-presidiário, sabemos disso, mas não sabemos o porque ela está fazendo isso, quem não consegue se aguentar de curiosidade será recompensado no final, claro, dependendo do quão alta é a expectativa, não espere uma reviravolta gigantesca ou mirabolante e sim uma emocionante e surpreendente redenção e transformação da personagem principal, algumas revelações envolvendo culpa aparecem.


Os mais chatos dirão que o roteiro é esquemático, que as coisas demoram demais pra acontecer, tudo bem, talvez até demore mesmo, é só com mais de quarenta minutos que a trama se abre e não é muito, até lá somos obrigados a ficar pegando detalhes e mais detalhes para só então compor a linha de acontecimentos, Arnold filma uma Glasgow escura, feia, suja, lá os habitantes são igualmente feios e sujos, transam descaradamente em encostos nas ruas e comem em meio as baratas, o trânsito, o vento gelado nos impede de qualquer relação com as personagens, não sei se é mesmo tudo imundo por lá, mas se foi essa imagem que a diretora queria passar ela conseguiu.

O sexo claro, está presente, já que é através dele que parte da trama se movimenta, as cenas são cruéis, são filmadas com a máxima realidade possível, e até pênis ereto tem, estupro, manipula de gozo dentro de uma camisinha, são personagens apressados que não tomam banho, fazem barba ou escovam os dentes, para os desacostumados com um cinema mais crú, sim o primeiro longa da incrível Andréa Anrold é crueza pura. Particularmente, adoro esse tipo de cinema, o filme como disse no início ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes, melhor diretor estreante no Bafta e a dupla de protagonistas ganhou o British Independent, ambos ótimos e conseguiram passar a dura complexidade dos atores, por fim, é um filme difícil, muito difícil, mas que compensa quando os créditos finais aparecem na tela.

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1 comentários

  1. Não sei se é meu estilo de filme.
    Não gosto de coisas muito arrastadas.
    O trabalho de Diretores nunca me indica alguma coisa, porque não entendo de filme. Só sei assisti.
    Quase sempre venho aqui no seu blog que está na minha lista lateral de blogs que leio.
    Raramente deixo comentário.

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